Pensa no que és. E agora sim vou começar a escrever.
O que já foi outrora um espaço de imenso teor cultural e elevado nível de requinte tem andado nos últimos meses a cheirar a mofo de tão pouca atenção minha que teve ao longo dos meses. É o verdadeiro Sá da Bandeira cá do blogger, mas com melhores camarins.
A questão mais relevante que se apresenta neste momento é a do arejamento cá do sítio. Como já há três anos que não me dou bem com janelas, resta-me utilizar o muito tradicional método da enxurrada verbal. Não conhecias o método? Não deves conviver comigo.
Este é o momento para isso.
É quando materializo o que penso, uma abstracção daquilo que vivi, porque eu sou aquilo que vivi, com este tempo todo acumulado. Só divagar sobre isso já dava pano para demasiadas mangas do que aquelas que são precisas.
O que se faz com o excesso de tecido, aquele que está mesmo a mais? Corta-se e deita-se fora. Diz-se mal ao fabricante para ele da próxima vez fazer algo diferente. Ganha-se um contacto agradecido ou alguém a nos odiar.
Este blog tem já mais de um ano. Não teve um ano de dedicação em cima, porque num ano muita coisa acontece.
Num ano muita coisa muda. Num ano de faculdade mudam muito mais. Às vezes até antes disso, bastando um “colocado” numa segunda (ou sexta) quadrícula para sermos possuídos pelo demo (ou para nos revelarmos). Uma pessoa apercebe-se desse facto ao fim de uma fase, olhando para trás. É impressionante como tanta coisa mudou, e outras ficaram tão iguais.
Há pessoas que conseguem permanecer estáticas, imovíveis, o que eram. Evoluem como tem que evoluir, mas mantem-se sempre o que eram. Amadureceram em fases anormais e à sua estupidez inerente ficaram fieis adeptos, e isso revela-se quando é preciso. Devia ser um modo de vida, uma religião. São essas as pessoas que compõe uma existência grandiosa sem pedir muito em troca. São os reais.
Reais esses que por muito tempo que passe não deixam de se assumir como pessoas que não precisam de estar presentes todos os dias para estarem presentes todos os dias. E é sobre essas pessoas que se deve dedicar a nossa balança de Karma.
Numa altura que há quem avalie o número de amigos a sério que possui pela quantidade de vezes que alguém diz “és o maior” em público, não deixo de ficar contente por verificar que nós somos aquilo que nos rodeia, e aquilo que nos rodeia escolhemos nós. Há quem não perceba, há quem concorde, há quem discorde. Mas o importante a reter é que cada um sabe aquilo que tem. Ninguém mais.
Ainda assim, muito devo a aqueles que sem fazerem parte directa nas vivências habituais, as vão preenchendo um pouco de cada vez . São aqueles que sem serem muito próximos conseguem iluminar as partes mais escuras de uma existência. Essas pessoas tem que ter em mente que uma pérola começa como um grão de areia.
Águas paradas não movem moinhos. Venham as enxurradas.
(Já sabes o que és? Então diz-me.)
May 14, 2010
Enxurrada
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